Precisamos falar sobre... #14: #MariellePresente

sábado, 24 de março de 2018

Dá para perceber que o mundo está tenso né? Nunca, em um período tão curto de tempo, eu fiz postagens deste tipo aqui. As pessoas realmente não se cansam de bostejar e claro, me sinto até que no direito de falar também. Já que todo mundo opina, por que eu também não posso, não é mesmo?
Enfim, se você não vive numa bolha ou embaixo de uma pedra, sabe que na última semana que Marielle Franco, vereadora da cidade do Rio - aka minha cidade - foi cruelmente assassinada. E não só ela, como o motorista Anderson também.
Admito que não conhecia nada sobre a Marielle, mas eu fiquei extremamente chocada com a notícia. E tudo só tomou proporções maiores em mim quando eu vi que ela defendia praticamente todo mundo: pobre, periférico, policial, LGBT, negros. Ela fazia parte de vários desses grupos inclusive. Era moradora da Maré, negra, mãe, lésbica. Ela lutava por alguma coisa! Ela tinha relação com denúncias e também com a intervenção militar aqui do Rio, ela seria uma das pessoas a supervisionar.
Mesmo sem muita notícia das investigações, acho que tá meio claro para todo mundo que isso foi mandado. Alguém queria calar a voz da Marielle! Mas, tudo se tornou maior até do que ela. 
E sim, é um discussão importante, não vamos invalidar o que ela fez e sim continuar o que ela fazia. Vamos manter o legado de Marielle!
Só que tem várias coisas me chateando e muito em meio a essa situação. Pessoas que riram no facebook, que até - pasmem - comemoraram a morte dela. Gente, cadê a humanidade? O caráter de vocês? Se é que existe!
Como disseram: Agora não importa partido, o que importa é que vidas humanas foram tiradas.
E infelizmente, estou vendo pessoas próximas tratando essa situação com deboche. Pessoas falando que já chega, que já deu de falar. Não, não deu! Aliás, é coisa do jornalismo mesmo ficar falando de pautas assim por um longo tempo.
Podem prestar atenção que em casos de desastres naturais e assassinatos, por exemplo, a cobertura é sempre maior. Porque, infelizmente, é o assunto do momento e cabe mesmo aos jornalistas falarem sobre isso. Critérios de noticiabilidade né, mores?
Lembro o tempo que falaram do caso Elisa Samudio, da Eloah, da Boate Kiss, etc. E pelo que bem me lembro, acho que ninguém reclamou sobre. Vocês realmente sofrem de amnésia seletiva, não é possível.
Voltando ao assunto que citei acima, porque foi justamente ele que me fez querer sentar aqui e escrever sobre isso.
Hoje, durante a espera no médico, com o noticiário passando na TV que pessoas comentaram coisas como: Lá vai de novo, já chega né? Só fala disso.; Mas e as N outras pessoas que morrem todos dias? (Sendo que depois noticiaram mais uma dessas e eles ficaram quietinhos); Você sabia que ela deixou uma viúva? (risos) Ela tinha mulher.; Ela recebia pensão do marido. (Talvez fosse a pensão da filha, que tem 20 anos, a lei é até 21.); O que essa mulher fazia de importante? (Não quer dizer que você não conhece que ela não faça nada.)
E o pior é que eram três pessoas e mais eu no recinto. Eu respirava fundo e pensava no Gandhi e na história da raiva. E bem, acho que estou a canalizando aqui nesse texto.
Mas, a minha vontade era de responder a cada uma das declarações, mas eu me calei. Eu estava em menor número. Estava sozinha. E claro, iam tirar minha razão, que é algo comum na minha vida de feminista que questiona e problematiza as coisas mais simples, mas só quer abrir a crítica e reflexão saudável para a gente não levar mais as coisas como "é porque é", mas me veem como a "chata de galocha".
Só que ai eu levanto um outro ponto: Marielle fazia a parte dela. Mesmo que para a pessoa que falou que não era nada, era parte dela, ela queria não mudar o mundo todo, mas sim o mundo dela. É aquele ditado: Faça sua pequena mudança e estará fazendo a sua parte.
E eu pergunto a pessoa que falou o "o que essa mulher fazia de importante?": O que você faz de importante? O que você faz no mundo? O que faz para gerar mudança, melhora, mesmo que seja só um pouco? Está fazendo a sua parte?
Como dizia o Gandhi também: Olho por olho e o mundo acabará cego.
Eu tento não ter raiva. Eu tento compreender e seguir a minha vida, fazendo a minha parte. Mudando o mundo, como escritora, uma palavra de cada vez. Como uma blogueira, um post de cada vez. Como quem grava vídeos, um vídeo de cada vez. Mesmo que seja só para entreter ou até para colocar para pensar. Eu quero passar alguma mensagem, algo adiante, plantar uma semente.
Acho que todos somos semeadores e questiono: O que estamos semeando? 
Pode ter certeza que é exatamente isso que você vai colher.
Por enquanto é #MariellePresente #AndersonPresente #AnelisePresente #TodosPresentes! 

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