Precisamos falar sobre... #9: Vídeos da Marcela Tavares

terça-feira, 4 de abril de 2017

Olá, pessoal! Como vão? Pois é, meu dedinho acabou coçando de novo e eu deixei o meu cronograma de postagens um pouco de lado para poder falar sobre este assunto, já que ele entrou em evidência na minha timeline do facebook.
Trata-se dos vídeos da série Não Seja Burro da Marcela Tavares. A série já tem um relativo tempo já, sendo seis vídeos no total. Vou deixar o primeiro para ilustrar e continuo depois.



Admito que me identifico com a situação retratada no vídeo, até porque eu tenho um Pedantismo Gramatical em um certo grau. E me identifico e muito com o rage que ela dá. Porque eu dou rage em algumas situações da vida, é minha forma de extravasar a raiva.
E sim, dei risadas com o vídeo, porque me identifico mesmo e tem hora que ela bate com tanta força no quadro que o cenário chega a cair. OVERACTING APENAS!
Alguns vieram falando que o vídeo reforçava o Preconceito Linguístico, concordo nesse ponto, até porque também estudei Sociolinguística, como uma pessoa fez questão de ressaltar num comentário. Alias, foi uma das matérias que mais amei no meu curso de Letras, me fez entender o quanto a língua é viva e muda constantemente apenas por seu uso pelos falantes. Ainda com a "Lei do Menor Esforço" que nos faz emendar as "palavra tudo".
E disseram que ela queria enfiar a norma padrão goela abaixo das pessoas, humilhando quem sabe menos e não teve oportunidade de estudar.
Concordo com todos os argumentos usados. Mas sabe o que eu enxerguei ao ver esse vídeo? Como se ela estivesse falando com uma pessoa que viu isso umas quarenta vezes na vida e mesmo assim ainda comete o erro.
Eu penso nos colegas de faculdade que estudam comigo e fazem essas coisas.
Não quero dizer que as pessoas tem que ser gramáticas ambulantes. Não é isso! Mas ter uma boa noção da língua escrita e não errar coisas básicas, como as faladas nos vídeos.
Sei dos problemas de educação que tem no país e outros pontos que as pessoas levantaram.
Lembro bem, na infância, quando minha vó deixou um bilhete e eu lembro claramente de uma palavra, que parei um tempão durante a leitura tentando decifrar o que era. E sabe o que era? "Quando", mas escrito "condo". Eu devia ter uns 9 ou 10 anos e só achei aquilo um pouco estranho, mas eu sabia bem que minha vó não tinha muito estudo.
Mas, teve um outro caso que me marcou, mais ou menos na mesma época. Para quem não sabe sou espírita desde os 9/10 anos. Enfim, eu frequentava a Evangelização Infantil aos sábados (e atualmente estou do outro lado da coisa, dando aula haha). Num dia das mães fizemos uns quadros de presente para dar, embrulhamos num envelope de papel pardo e deveríamos escrever nosso nome e de nossa mãe. Eu fiz a tarefa tranquilamente. Como já tinha acabado, fiquei esperando liberarem e ai, fui prestar atenção na menina do meu lado e vi que ela estava copiando do meu. E ela colocou "De: Anelise". Eu, naturalmente, falei: Você tem que colocar o seu nome e da sua mãe. Mas ela não sabia fazer isso e eu ajudei, ditando para ela o que deveria escrever. Ela tinha a mesma idade que eu! Não sei se estudava, nem lembro, mas se estudasse não tava adiantando muita coisa, infelizmente.
E outra coisa que pergunto, por curiosidade apenas: E se não tivesse uma "Norma Culta Padrão"?
Imagina se cada um escrevesse da forma que achasse que as palavras se escrevem. Só consigo imaginar um enorme bagunça para se entender algum texto escrito. Mesmo que algumas vezes sendo inclusas meio atrasadas, as regras servem para todos seguirem uma mesma linha e organizar o que já existe. (Eu sei que bicicreta e brusinha já foram "padrão" num passado.)
Em questão de fala, eu não vejo tanto problema, porque a linguística me ensinou que a mensagem tem que ser passada, não importa como, palavras "erradas" inclusas.
Os vídeos são uma forma de como não ensinar português.

1 comentários :

Gislaine Oliveira disse...

Oiii, Ane. Tudo bem?
Então...
Esse foi o primeiro vídeo que vi da moça e só vi porque tava aqui hahahhaha
Mas já sei da polêmica toda. Então... é complicado né? Porque um lado meu se irrita com erros bobos. "Se caso", "eu se levanto", "seis tão bem?" Mas ao mesmo tempo entendo que não é todo mundo que tem as mesmas oportunidades. Eu mesma cometo vários errinhos. E não é por não querer aprender não, mas tenho muita dificuldade com a língua, apesar de trabalhar com ela. Sou mesmo boa em matemática. Pois é! Então nem sempre é questão de não querer aprender. Além disso, existem pessoas com vários distúrbios que dificultam o aprendizado.
Outra coisa complicada é a questão da linguagem cultural. Por exemplo, no meu livro A Vadia, mesmo a história se passando no RS, eu precisei trocar o tu por você, porque se eu escrevesse "Tu foi" diriam que está errado. Pela norma culta pode até ser, mas dificilmente um gaúcho falará "Tu foste". Então é complicado isso, porque às vezes tu perde ou deixa de lado a cultura em benefício da norma culta. Negrinho, lomba, sinaleira, arrecém, tendel... são todas palavras "certas" para o povo do RS. Não sei até que ponto é justo tirar a língua de um povo.
Mas quando a questão é erros gramaticais, fico dividida. Porque eu tenho calafrios quando alguém escreve "Ancioso", "sicema" ou afins. Mas sei lá... ultimamente ando praticando o não julgamento hehehehe
Beijooos
http://profissao-escritor.blogspot.com.br/